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[CAB] Nota do GT Estudantil da Coordenação Anarquista Brasileira em solidariedade aos estudantes que ocupam a Reitoria da UFRGS em defesa das cotas raciais

Viemos por meio desta nota nos solidarizar com o movimento negro da UFRGS. No dia 07/03 a ocupação do prédio da reitoria da UFRGS foi impulsionada pelo Coletivo Balanta, com o objetivo de reverter a decisão da universidade que alterou os critérios de aferição do processo de seleção de cotistas.

No caso, a reitoria passou a homologar estudantes com identificação hereditária até os avós, não mais se pautando pelo critério fenotípico. Ainda com o intuito atropelar o antigo processo, criou a categoria “pardo com ascendência indígena” e uma comissão de Recurso com representantes escolhidos a dedo pelo reitor, deslegitimando a Comissão de Aferição anterior, que era mais representativa e acumulava um longo debate com o Movimento Negro. Segundo a carta em que os antigos membros da comissão pedem desligamento, as comissões foram “Demandadas nacionalmente pelo Movimento Negro […] fruto da reflexão e acompanhamento no qual se entendeu que não havendo comissões que façam análise heteroidentificativa de candidatos cotistas raciais, as vagas cairiam na sua grande maioria para não-negros e não indígenas”[1].

O movimento tem apontado que as alterações descaracterizam o objetivo da política de cotas, mas a reitoria se mostrou indiferente às críticas e mesmo após o desligamento de membros da Comissão Permanente de Verificação da Autodeclaração Étnico-racial (CPVA) não voltou atrás com a sua decisão arbitrária.

Muito nos indigna, mas não nos surpreende que a Reitoria da UFRGS queira modificar o sistema. A Universidade enquanto um direito social foi historicamente vedada à população negra, e os setores conservadores da sociedade tem se incomodado com o fato de que, apesar do racismo – instituição central da sociedade brasileira e marca distintiva da universidade no Brasil – a população negra tem cada vez mais superado o filtro social do vestibular. Isto porque para os setores conservadores, a presença da população negra nas universidade deve-se restringir ao trabalho precarizado e terceirizados na limpeza limpeza e nos RUs.

Mas em resposta à falta de consideração pelos acúmulos do Movimento Negro no tratamento da questão e à falta de diálogo da atual gestão da universidade, o Coletivo Balanta impulsionou a ocupação do prédio da reitoria; demonstrando como deve ser feito o combater a negação escancarada de um direito social – que mesmo diante de todas as conquistas ainda precisa avançar muito. Esta é mais uma luta que a classe trabalhadora terá que enfrentar e combater em meio ao ferrenho avanço neoliberal que estamos enfrentando e precisamos permanecer firmes e nos espelhar no exemplo do Coletivo Balanta, entendendo que é só através da luta que poderemos defender as nossas conquistas.

Não satisfeita com a arbitrariedade contida no desprezo institucional em relação ao posicionamento coletivo, construído historicamente pelo Movimento Negro, a reitoria foi além, acionando as forças repressivas para garantir a reintegração de posse do prédio ocupado. Como se já não houvessem arbitrariedades suficientes neste processo, o pedido de reintegração caiu nas mãos do Juiz Bruno Risch Fagundes de Oliveira, que decidiu acionar as forças armadas para acabar com a ocupação.

Não podemos deixar de destacar o absurdo representado pelo acionar das forças armadas para tratar de um conflito político dentro da Universidade e nos sentimos na obrigação, não só de nos solidarizamos com os/as companheiros/as que ocuparam a Reitoria em protesto a essa medida, mas de rechaçar veemente a truculência da reitoria da UFRGS, potencializada pelo delírio autoritário do referido juíz. Além disso, gostaríamos de compartilhar uma análise sobre o conflito na UFRGS, localizando na atual conjuntura o risco que uma situação como esta representa para o movimento estudantil à nível nacional.

O significado da intervenção militar 

É essencial compreendermos que a cogitação da utilização do exército para reintegrar a reitoria da UFRGS não é um raio num dia de céu azul, mas está diretamente vinculada à escalada autoritária na qual os setores mais atrasados da sociedade vem se alicerçando para tentar passar os seus planos anti-povo. No atual momento vemos as forças armadas se inflando e avançando em variadas posições para conter a revolta popular que a elite percebe que fatalmente virá do desmonte dos precários e insuficientes direitos sociais que querem nos tomar.

Tal situação torna a ocupação da UFRGS mais importante até do que ela já é por si só,  potencializando o significado desta luta que se estende através e além de sua principal pauta. Com o aprofundamento do golpe e as vacilações da esquerda institucional, cada vez mais os setores reacionários se veem à vontade para atacar as poucas conquistas que tivemos nos últimos anos (fruto de muita luta e resistência das/os de baixo). A relevância desta ocupação não reside apenas no fato de defender que pretas e pretos possam entrar e permanecer na Universidade. Ela é extremamente importante por isto, mas se torna ainda mais importante pela inflexão travada com os setores retrógrados da sociedade que, sem condição de conquistar a hegemonia na esfera política, se voltam para os milicos com o intuito de fazer valer o seu ataque contra o povo brasileiro.

A situação na UFRGS é de suma importância e é um balão de ensaio. A convocação dos militares para atuarem na desocupação da reitoria pode criar um precedente para que façam isso em qualquer lugar em que estudantes se levantarem contra o programa anti-povo, que a cada dia tem a sua implementação acentuada. É fundamental que compreendamos isso e que, não só nos solidarizemos de norte a sul do país com o movimento da UFRGS, mas que denunciemos implacavelmente a tentativa de levar à outro nível a criminalização das lutas sociais.

Precisamos aprender com o passado. Não podemos repetir os erros dos anos 60 e deixar pra combater os militares depois que eles já tiverem todo o regime aos seus pés. Foi com iniciativas como tais, que o golpe de 1964 foi preparado! Não tenhamos dúvidas, de que cada vez mais a elite retrógrada enxerga a necessidade de ter ao seu lado o máximo de truculência possível para por em prática a liquidação do país.

Precisamos ter ciência de que apesar de todo o cerco midiático e a tentativa de esvaziar o debate político, nós vivemos um momento de extrema polarização e entre o povo reina uma enorme reprovação sobre os ataques que estamos sofrendo. Infelizmente, a maior parte dos movimentos e lideranças contribuem para a aparente apatia, já que ainda se encontram iludidos com a corrida eleitoral deste ano, parecendo não terem entendido que o projeto neoliberal foi acelerado pelo golpe e que a sua reversão nas urnas não está no rol das opções.

Em momentos como este, quando se avolumam contradições, qualquer luta pode ser o estopim para a eclosão da revolta entre o povo. Que cumpramos com o nosso dever histórico e denunciemos com todas as nossas forças o que vem acontecendo em Porto Alegre. O momento pede o máximo de luta e organização, debates, marchas e piquetes, dentro e fora das Universidades! A direita precisa saber que a esquerda não está morta e que mais uma vez a juventude está disposta a reivindicar o seu posto na luta!

Rodear de Solidariedade as/os companheiras/os do movimento negro da UFRGS
Avante juventude, a luta é que muda!
Nem um passo atrás, ditadura nunca mais!

12 de março de 2018
GT Estudantil da CAB

 

Para mais informações e para acompanhar a ocupação:

Página do Balanta: https://www.facebook.com/balantanegritude/

[1] Nota de Desligamento dos Membros da comissão de aferição: http://reporterpopular.com.br/nota-de-desligamento-de-membros-da-comissao-de-afericao-da-ufrgs-contra-os-retrocessos-na-politica-de-cotas-raciais/

[CONVITE] REABERTURA DO ATENEU ANARQUISTA IKO TEMA – em novo endereço

Clique na Imagem para abrir nosso vídeo de convite para a Reabertura do nosso Ateneu. Curta e Siga nosso Canal no YouTube.

 

 

 

O AAIT retoma suas atividades em 2018 localizado em novo endereço e com as programações já sendo preparadas para os próximos meses.

Com isso, queremos estender o convite para toda companheirada que possua interesse, solidariedade e rebeldia para participar do evento de reabertura do nosso espaço político, organizacional, formativo e social!

Os eventos mensais – “Cine Vermelho e Negro” e o “Grupo de Estudos e Formação Política Anarquista” – continuarão sendo realizados e, além disso, estaremos realizando outros eventos destinados para debates da realidade conjuntural e da necessidade da Luta e Resistência Popular organizada nas ruas; teremos também momentos destinados para confraternizações entre as pessoas próximos, enquanto complemento de interação, aproximação e também arrecadação financeira para nossas atividades e ações políticas.

DIA 27/01 (sábado) as 17:30
Endereço: Rua 34, Quadra 40, Casa 28-c, CPA 03, Setor 03 /// Ponto de Referência: sobrado amarelo ao lado da CEAD Centro de Ensino – nas 4 Pistas principais do CPA 03

 

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[GEFPA] Grupo de Estudos e Formação Política Anarquista – 20 de Novmebro

No dia 20 de Novembro, retomamos o órgão de Formação e Estudos da Teoria e História do Anarquismo. Essa é a instância pública da Rusga Libertária para poder, conjuntamente, dialogar e aproximar da companheirada que possua interesse e acordo com as linhas de ação e organização da nossa corrente ideológica,.

“Em todas as áreas da nossa organização, precisamos realizar propaganda revolucionária consistente, explicando que o Capitalismo é responsável pelo desemprego, pelo aumento dos preços, as escolas e habitações podres e o restante da decadência que vemos ao nosso redor. Devemos expor o fato de que, embora os Nazistas, Klan e outros direitistas fazem dos Negros, Gays, Latinos e outras pessoas oprimidas o bode expiatório para a crise econômica, o seu verdadeiro objetivo é destruir o movimento operário por inteiro, cometer genocídio, iniciar uma guerra aventureira e, por sua vez, transformar os trabalhadores em escravos definitivos do Estado. Portanto, essas forças fascistas são uma ameaça para todos os trabalhadores de todas as nacionalidades. É necessário esclarecer que eles só querem usar os trabalhadores brancos como peões em seu esquema para criar uma ditadura fascista, e todos os trabalhadores devem se unir e revidar e derrubar o Estado, se quiserem ser livres.”

Lorenzo kom’boa Ervin – Anarquismo e Revolução Negra

[PROPAGANDA] 20 de NOVEMBRO: Grupo de Estudos e Formação Política Anarquista

Depois de alguns anos parados, retomamos as atividades da ferramenta de formação e estudos das teorias políticas do anarquismo – voltadas para a perspectiva de luta, organização e envolvimento nas lutas sociais. Além de ter como perspectiva resgate histórico, teórico e de luta da nossa corrente ideológica, o GEFPA tem como intenção realizar formação conjunta entre nossa militância e demais pessoas interessadas em colaborar nos debates/formações e, durante os processos, poder se aproximar das nossas atividades e lutas no cotidiano.

Link para Download e Leitura do Texto Disparador:  Lorezendo K. Ervin – Anarquismo e Revolução Negra (Capítulo 01)
Para tirar dúvidas e obter mais informações sobre o evento: https://www.facebook.com/events/754027104797889/

Para acompanhar os encontros do GEFPA e outras Atividades da Rusga Libertária:
Acesse: rusgalibertaria.noblogs.org
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Envie E-mail e participe de nossa Lista de Propaganda e Informativos: rusgalibertaria@riseup.net

 

[GEFPA] GRUPO de ESTUDOS e FORMAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA

Depois de alguns anos parados, retomamos as atividades da ferramenta de formação e estudos das teorias políticas do anarquismo – voltadas para a perspectiva de luta, organização e envolvimento nas lutas sociais. Além de ter como perspectiva resgate histórico, teórico e de luta da nossa corrente ideológica, o GEFPA tem como intenção realizar formação conjunta entre nossa militância e demais pessoas interessadas em colaborar nos debates/formações e, durante os processos, poder se aproximar das nossas atividades e lutas no cotidiano.
 
A retomada do GEFPA ressurge num momento importante para nossa organização política, momento onde possuímos um espaço público destinado para essas e outras atividades, momento onde se faz mais que necessário a aproximação e melhor amarradura estratégica para combater os ataques do Estado aos direitos sociais historicamente conquistados através de muita luta, suor e sangue derramdo.
 
Estaremos dando a retomada desse espaço com o primeiro capítulo do livro “Anarquismo e Revolução Negra”, capítulo que tem como título “Uma análise da supremacia branca”; livro escrito por Lorenzo Kom’boa Ervin. Lorenzo foi membro do SNCC (Comitê de Coordenação de Estudantes Não Violentos de Tennessee Leste) depois passando a integrar o Partido dos Panteras Negras depois da fusão dos dois grupos.
 
A escolha desse texto/tema faz parte da nossa leitura de ser de grande importância a discussão racial e étnica, principalmente ao compreendermos a formação da estrutura de desigualdade social do Estado – em especial o Brasil. Ao mesmo tempo por termos como norte compreensivo a importância da data do dia 20 de novembro e da histórica luta e resistência do povo negro.
 
Venha contribuir e participar desse importante processo formativo e também das lutas.
 
DOWNLOADS:
***Link para download e leitura do Capítulo 01:  Lorezendo K. Ervin – Anarquismo e Revolução Negra (Capítulo 01)
***Link para download do Livro Completo “Anarquismo e Revolução Negra”: Lorezendo K. Ervin – Anarquismo e Revolução Negra