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10 anos de Rusga Libertária: 10 anos construindo o Anarquismo Organizado em Mato Grosso

As reticências, as meias-verdades, os pensamentos castrados, as complacentes atenuações e concessões de uma diplomacia covarde não são os elementos dos quais se formam as grandes coisas: elas fazem-se, apenas, com corações elevados, um espírito justo e firme, um objetivo claramente determinado e uma grande coragem. Empreendemos uma grande coisa, […], elevemo-nos à altura de nossa empreitada: grande ou ridícula, não existe meio-termo, e para que ela seja grande é preciso, pelo menos, que por nossa audácia e por nossa sinceridade tornemo-nos também grandes.

Em 18 de novembro de 1918, os anarquistas realizaram uma insurreição no Rio de Janeiro; as primeiras três décadas do século XX, no Brasil, o anarquismo esteve vivo e combativo conjuntamente às lutas operárias, educacionais e campesinas – do campo à cidade, envolvidos na intenção de construção do Socialismo Libertário, da Revolução Social. São 98 anos desde a Insurreição Anarquista, noventa e oito anos que não deixa ser apagado nossa memória de luta, organização, rebeldia, solidariedade, apoio mútuo, fraternidade, internacionalismo e Ação Direta! Mesmo não sendo a data de nossa fundação, é uma data que faz parte da nossa história, da história de mulheres e homens que se colocaram em sagacidade nas lutas por um mundo melhor, uma nova sociedade; da Rússia ao México, dos Estados Unidos à Espanha, do Japão à Coreia… do Uruguai ao Brasil. O anarquismo esteve presente em todos os continentes, sendo na construção do sindicalismo revolucionário, da luta camponesa, da luta pela libertação e emancipação das/os oprimidas/os – Na Luta Contra o Estado!

E foi através dessas experiências prática e teórica, em mais de 150 anos de anarquismo militante, que se deu as primeiras intenções de construção de uma organização especificamente de anarquistas, em terras mato-grossenses. Construção iniciada através de companheiros e companheiras que já se articulavam com outras organizações do Brasil, em meados da década de noventa, até a concretização do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) – instância organizativa que foi destinada para o amadurecimento de linhas táticas e estratégicas, teóricas e práticas, de intervenção nos movimentos sociais e construção de ferramentas que possibilitasse o avanço das lutas populares com corte de classe libertário – que percorreu 10 anos de existência, até a fundação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).

Pelo Grupo de Estudos e Ações Libertárias (GEAL), foram aplicados os primeiros germes formativos, em Mato Grosso, para se avançar na perspectiva de construção de uma organização especificamente anarquista; ali foi possível trocar reflexões, afinar nortes programáticos e chegar no ponto X da concretização da Rusga Libertária – entre os últimos meses de 2005 e 2006. Hoje, dez anos depois, também optamos por percorrer com tranquilidade/firmeza/ética/estilo militante/compromisso e humildade os passos para o enraizamento da crença em nosso projeto político ideológico, um projeto enraizado ao nosso próprio projeto de vida: Organizativo, Libertário, Solidário, Internacionalista e Revolucionário! Dez anos percorridos através de avanços, estagnações, embates, amadurecimentos, crítica, autocrítica, humildade – para chegar na nossa maturidade ideológica e programática.

10 anos caminhando com passos firmes, humilde, porém convicto do que queremos!

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E foi com imensa satisfação que recebemos saudações de organizações irmãs do Brasil, da América Latina e da África do Sul. Essas saudações foram lidas e introjetadas em toda nossa militância como um adicional de ânimo e determinação para que possamos comemorar mais 10 anos de existência…

Agradecemos a todas e todos que se fizeram presentes nesse momento de alegria e reafirmação do nosso projeto de luta por uma nova sociedade!

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América Latina

Federacion Anarquista de Rosario (FAR)

Companheiros/as da Rusga Libertaria:
Orgulha-nos tremendamente este importante evento para o anarquismo brasileiro. Este é um passo-chave nesta etapa da construção da CAB e tambem na consolidação das praticas libertarias no histórico Caa Guazú guaraní, hoje mais conhecido como Mato Grosso.
Sem dúvida, isto contribui para as bases da sustentabilidade regional do anarquismo especifista. Como mostram eles é vital a premissa organizacional aos níveis sociais e político-ideológico, marcando um caminho a seguir para a militancia matogrossense e deixando à vista a capacidade, compromisso e necessidade do momento de envolver-nos em as lutas sociais do nosso povo, ombro a ombro com os nossos irmãos de classe.
Os 2500 km que nos separam não são em absoluta distância para pensar em conjunto a estratégia regional de resistência contra o avanço das classes opresoras da região, que via eleições ou golpes institucionais vieram para completar o programa de ajuste selvagem para os de baixo.
Nos só desejamos longa vida ao anarquismo organizado no Mato Grosso.
Contra la clase dominante, anarquismo militante!
Viva la Rusga!!!
Arriba lxs que luchan!!!
FAR – Federación Anarquista de Rosario (Argentina)

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Federacion Anarquista Uruguaya (fAu)

Salu compañeras y compañeros de Rusga Libertaria.

Desde Uruguay queremos saludar y celebrar a la distancia los 10 años de organizacion y lucha anarquista en Mato Grosso.

Ha sido un buen tiempo de construccion anarquista de la organización en sus diferentes etapas que debe ser capital de una mirada profunda para arraigar aun mas nuestra perspectiva libertaria y alternativa de lucha de clase.

Recordamos los primeros años cuando nuestros hermanos y hermanas de la FAG nos informaban sobre el trabajo alli y las potencialidades concretas. Hoy con cierto orgullo tambien les damos nuestro saludo.

Vamos a dar la lucha desde abajo, sin caer ni meternos solos en los
corrales de rama del sistema y los juegos electorales.

Por una alternativa de lucha de los de abajo!

Por el socialismo libertario! // Arriba los 10 años del FAO! // Arriba la CAB! // Arriba los que luchan!

federacion Anarquista uruguaya

África do Sul

Frente Anarco-comunista Zabalaza (ZACF)

Companheiros e companheiras,

Em nome da Frente Anarco-comunista Zabalaza (ZACF) da África do Sul lhes mandamos saudações solidários aos/às companheiros/as da Rusga Libertária no seu decimo aniversario.

Sabemos que dever ter sido um largo e difícil caminho a construir sua organização e desenvolver sua prática política para chegar em este ponto histórico num país e contexto bastante desigual aonde o anarquismo, mesmo que tendo uma história larga e de nobreza no Brasil, ainda não voltou a ser muito bem conhecido nem recebido por as classes oprimidas desde a perda do seu vector social no século anterior.

Sabemos também que o Brasil, como muitos países incluso o nosso, está voltando cada vez mais num país autoritário aonde o governo e a classe dominante pouco se toleram ideologias, grupos políticos ou movimentos sociais que defendem a igualdade e transformação social e aonde o espaço democrático para fazer crítica do sistema, levantar as nossas propostas, lutar e desenvolver alternativas libertárias se fica cada vez menor.

Mesmo assim, temos visto de longe como o trabalho de base consistente e paciente das organizações especifistas brasileiras, organizados na Coordenação Anarquista Brasileira, há começado a dar frutinhas, e nos parece que o anarquismo está começando a surgir mais uma vez como uma referência e ferramenta de luta nas lutas populares e sociais que nos parece que estão explorando no Brasil – das lutas de 2013 contra o aumento da tarefa e contra a absurdidade da Copa do Mundo até a onda de ocupações escolares do ano passado até agora.

Da Turquia aos Estados Unidos, da Argentina ao Brasil, a extrema direita, o fascismo e o autoritarismo discriminador, de uma forma ou outra, estão crescendo. Mais de trinta anos do neoliberalismo há enfraquecida as organizações populares da resistência e há f eito que as classes oprimidas se quedam divididos e confusos, sem confiança e esperança na luta nem solidariedade de classe. A esquerda autoritária, pragmática e oportunista não tem nada pra oferecer as classes oprimidas. Só a luta de classe, desde abaixo e por fora do estado, nos salvará. Só o anarquismo nos mostra uma saída deste sistema tão deplorável. Se as classes oprimidas não se organizam e levantam para dar fim à esse mundo capitalista, ou as bombas de guerra imperialista ou as alterações climáticas o fará.

Agora, mais que nunca, o mundo e os povos se necessitam o anarquismo. Agora, mais que nunca, nós temos que organizar, temos que defender as nossas ideias, demostrar que a nossa alternativa libertaria tem valor e nos oferece uma chama de esperança num mundo escuro e absurdo.

Respeitamos e apreciamos o compromisso e trabalho, tanto social e de base quanto político, de cada um/a de vocês em construir um anarquismo organizado e um povo forte no Mato Grosso e no Brasil mesmo. Em construir um mundo novo e libertário.

Nós lhes desejamos mais uma década de resistência libertária e organização especifista.

Viva Rusga Libertaria!! Viva CAB!! // Arriba lxs que luchan!!

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Brasil

Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN) – SC

Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra aos 10 anos da Rusga Libertária

Desde que a militância anarquista se organizou em Santa Catarina, fazendo do CABN nossa ferramenta de construção de um novo mundo nos idos de 2011, contamos com um forte laço de rebeldias, sonhos e muita luta em Mato Grosso, laço que não se afrouxa pela longa distância que nos separa. Maior que a distância é nossa convicção na importância de derrubar esse sistema injusto. Convicção também de que a mais ampla solidariedade entre os povos oprimidos será decisiva para essa tarefa!

Saudamos o momento em que a Rusga Libertária alcança seus dez anos e desejamos muito debate solidário, acúmulo e ainda mais força para as lutas que virão. Quando a labuta cotidiana na resistência ficar pesada, lembrem que aqui no Sul também estamos dedicando os mais honestos esforços pela revolução.

Pelo socialismo e a liberdade!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra,

novembro de 2016

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Coletivo Mineiro Popular Anarquista (COMPA) – MG

Belo Horizonte, Minas Gerais, 18 de novembro de 2016.

Estimadas e estimados companheiras e companheiros da organização Rusga Libertária,

O Coletivo Mineiro Popular Anarquista, organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, saúda os 10 anos da Rusga Libertária, irmã de coordenação nacional e peleja anarquista na região mato-grossense.

Fundada em 18 de novembro de 2006, propositalmente neste dia para prestar justa homenagem à tentativa de insurreição anarquista realizada no Rio de Janeiro em 1918 (homenagem que endossamos e fazemos questão de ressaltar, a propósito), desde então a Rusga Libertária exerceu papel destacado na consolidação de nossa ideologia em âmbito nacional, vivenciando, construindo e fortalecendo os espaços de construção de nossa militância no país, como o antigo Fórum do Anarquismo Organizado, fundado em 2002, e a atual Coordenação Anarquista Brasileira, fundada em 2012.

Foi resultado dos esforços militantes das e dos companheiros da Rusga Libertária (junto a companheiros gaúchos, cariocas, alagoanos e outros), que o anarquismo especifista se expandiu para todas as regiões do país, de norte ao sul, com organizações anarquistas especifistas consolidadas em 12 estados, sendo o COMPA um exemplo direto disso.

Por sua determinação, por sua história de luta, firmeza, postura e de fazer valer a nossa bandeira nos espaços onde estamos presentes, prestigiamos essa organização irmã com a qual pactuamos as tarefas maiores de construir a nossa organização nacional, de trazer o anarquismo à luz da classe trabalhadora como uma alternativa real de luta e de nova sociedade, e também de fazer a revolução social.

Forte abraço, companheiras e companheiros, não tá morto quem peleia! Seguimos juntas e juntos a enraizar anarquismo em nossas lutas e em nossa classe!

Viva a Rusga Libertária!
Viva a CAB!
Viva o anarquismo!

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Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC) – PR

Saudações do CALC aos dez anos da Rusga Libertária/CAB!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), organização anarquista especifista localizada no estado do Paraná, saúda e comemora uma década de construção da Rusga Libertária em terras mato-grossenses! Compomos desde 2012 a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) em conjunto com a organização-irmã Rusga Libertária e, neste momento, contamos com outras 10 organizações anarquistas especifistas espalhadas pelo Brasil.

Alegramo-nos em saber que os/as companheiros/as mato-grossenses têm se empenhado na tarefa árdua e cotidiana de construção de uma alternativa política frente as burocracias dos movimentos sociais, num contexto estadual em que reina o poderio dos latifundiários da soja e do agronegócio em geral.

Numa conjuntura nacional de lutas cada vez mais acirradas, com destaque neste momento para a luta contra a MP 746 (Reforma do Ensino Médio) e PEC 241 (55) – com direito a muita ação direta (ocupações, atos de rua e mais), é necessário continuarmos a construção de novos referenciais políticos. Somente nessa intensa peleia, com muito esforço organizativo nas escolas, bairros, favelas campos, florestas e locais de trabalho, conseguiremos construir um outro horizonte que rompa com as estruturas do capitalismo, do Estado e de qualquer dominação.

Ao mesmo tempo, passamos por um momento de aumento da repressão e criminalização à pobreza e aos movimentos sociais. Com os marcantes casos de Rafael Braga e da invasão à Escola Nacional Florestan Fernandes, destacando também o contínuo genocídio do povo negro e dos povos originários. Só nos resta a solidariedade entre a classe oprimida para resistirmos e avançarmos.

A cada modesto passo que damos, a cada ano que completamos de luta e organização, ficamos mais fortalecidos. Com muita convicção e firmeza, a partir de raízes históricas bem sólidas, seguimos na construção de uma matriz ideológica anarquista latino-americana, ampliando nossa atuação e amadurecendo nossas organizações.

Continuamos juntos, lado a lado. Partilhamos das mesmas concepções, princípios, estratégias, táticas, leituras da realidade. Nossa convicção e sentimento de pertencimento a algo maior aumenta nossas chances de vitória sobre os vários tipos de dominação. Seguimos construindo uma outra sociedade, fundada em outros valores, uma sociedade de socialismo e liberdade!

Saudações aos/às anarquistas especifistas do Mato Grosso! Seguimos sabendo que só a luta popular decide! Toda força para o nosso projeto de construção de uma sociedade justa e igualitária!

Lutar! Criar Poder Popular!

Viva o Anarquismo no Centro-Oeste!

Viva a Rusga Libertária! Viva a CAB!

CALC, Novembro de 2016.

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Federação Anarquista Cabana (FACA) – PA

Companheiros e companheiras da Rusga Libertária!

A Federação Anarquista Cabana – FACA saúda com grande entusiasmo e profundo respeito o aniversário de 10 anos da Rusga Libertária – CAB. Organização coirmã que tanto inspira nossa prática militante. Falamos isto não como simples palavra ou mero devaneio.  Nossos parabéns se pautam na construção teórica e prática de um socialismo libertário com nossa face. Com a cara negra e índia. Na sua relação profunda com a natureza de nosso continente latino americano e também de nossa grande região Amazônica.

Nossa realidade comum, marcada pela lógica perversa de uma colonialidade do ser, do saber e do poder nos colocou no mesmo campo de batalha. E mais do que isso. Apresentou o grande desafio da construção de um anarquismo militante, inserido e atuante nas lutas de nosso povo. Da grande, emancipada e autônoma Abya Yala até a realidade Centro Oeste brasileiro. Na tarefa de construção da resistência cabocla, negra e indígena contra a escravidão e a invasão de nossas terras.

Nosso espírito cabano, desde as partes mais setentrionais do Brasil, deseja que estes dez anos se multipliquem. Que se ampliem. Que nosso esforço comum de construção de uma organização em nível nacional se efetive e que nossas forças se enraízem onde se tenha uma luta contra a exploração econômica e a opressão de todas as ordens. No alvorecer de um dia onde celebraremos a autodeterminação, a auto-organização e a autogestão material e simbólica do viver. Isto tudo acompanhado de uma solidariedade plena e orgânica.

 Em nossa concepção libertária de socialismo, não existe “lutar para o povo” e sim lutar com o povo, como militantes populares. Justamente por sermos filhas e filhos do povo brasileiro, queremos participar da nossa libertação, caso contrário, não existe luta libertária possível. Não acreditamos em benevolência da classe dominante, por isso, sabemos que a nova sociedade somente nascerá das entranhas da classe trabalhadora. Este é o grande o exemplo e legado que a Rusga nos dá neste seu aniversário.

Hoje, como ontem, a nossa luta é no campo e na cidade, na floresta e no cerrado, na caatinga e nos pampas. A construção de nossa corrente é internacional. Mas, sobretudo, latino americana. Que viva o anarquismo especifista. E que viva a RUSGA LIBERTÁRIA!                                               @ Secretariado da FACA

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Federação Anarquista Gaúcha (FAG) – RS

Desde o sul do Brasil enviamos a toda Rusga Libertária nosso grande abraço de comemoração pelos seus 10 anos de luta. São 10 anos construindo o anarquismo no país. Que todas e todos saibam que nos sentimos parte desta construção, nos sentimos comemorando com vocês também este momento.

É importante que se diga que vivemos momentos difíceis para os de baixo, não que já tenha sido fácil algum dia, mas temos vários desafios à mais nesta infeliz conjuntura de retiradas de direitos e de repressão. Reafirmar nossa convicção libertária está na ordem do dia. Demarcar nosso campo ideológico, dar batalha de ideias, se enraizar mais e mais no trabalho de base são ações compartilhadas entre nós e servem de ânimo para a árdua jornada de luta que não termina amanhã e tampouco começou hoje.

Hoje, dia 18 de Novembro também vamos comemorar nossos 21 anos de FAG, mas o punho erguido e o grito de Arriba los que luchán é para Rusga Libertária!!!

Vida longa a Rusga Libertária!

Vida longa a CAB!

Viva a Anarquia!

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Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) – RJ

Nós, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) saudamos os dez anos de nossa organização-irmã Rusga Libertária (RL), integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) e com presença no estado de Mato Grosso. Nosso país de extensões continentais nos impõe uma tarefa árdua que recebemos com toda dignidade: fincar raízes de luta e rebeldia em todo território brasileiro. Retomar e fazer crescer a influência do anarquismo organizado, modestamente é um trabalho que vem sendo feito por nossa coordenação e com ela, a organização Rusga Libertária, com afinco e determinação.

São 10 anos de luta e construção da proposta anarquista no estado de Mato Grosso, mas a história de resistência é muito mais antiga, o levante do rusguentos, resgatado pela organização especifica local, surgiu de um contexto de indignação dos explorados que responderam com ação direta abrindo caminho para na sequência de outras revoltas como a Farroupilha (RS), Cabanagem (PA), Sabinada (BA), Balaiada (MA) dentre tantos capítulos do poder popular e se mistura com as lutas indígenas tocadas contra a implantação do criminosos Estado-nacional brasileiro. Temos em nossas veias as memórias e as lições de resistência indígena, a luta popular de base e a federação das que lutam cotidianamente contra os desmandos do capital em todas as regiões desse país chamado Brasil. Temos em Rusga Libertária, uma aliada fiel da revolta popular e do anarquismo de nossa corrente.

Organização que se dedicou com afinco na construção anarquista brasileira que tem seu salto qualitativo no Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) e depois Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), saudamos os esforços da militância anarquista organizada no estado de Mato Grosso.

Que cresça a revolta e a luta popular! Que cresça a força das e dos de baixo contra os desmandos dos latifundiários e capitalistas!

Viva a Rusga Libertária (RL)!
Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!

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Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) – SP

Saudação OASL

É com grande entusiasmo que saudamos e comemoramos os 10 anos de organização da Rusga Libertária, organização que sempre andou ombro a ombro com os de baixo no Estado do Mato Grosso.

Nessa década a Rusga fez parte do bom combate contra as classes dominantes e tem contribuído com modéstia mas decisivamente para o fortalecimento do Anarquismo no Brasil e para a construção do Poder Popular nesse país e no mundo.

Por isso nesse dia tão importante aos anarquistas brasileiros, que não atoa também é aniversário de nossa organização, saudamos esses 10 anos que nossas e nossos companheiros tem dedicado ao socialismo e a liberdade, que venham muitos mais!

Viva a Rusga Libertária!
Viva a Anarquia!
Via a CAB!
Lutar! Criar! Poder Popular!

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Organização Resistência Libertária (ORL) – CE

É com imensa alegria e satisfação que nós da Organização Resistência Libertária [ORL/CE], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, viemos saudar aos 10 anos da Rusga Libertária. Em Mato Grosso, Estado em que o capitalismo finca as cercas do agronegócio e o Estado impõe os Bandeirantes como identidade colonial, acreditamos na firmeza e na resistência da nossa organização irmã na luta contra o latifúndio, contra o genocídio dos povos originários e do povo preto, contra a precarização da vida urbana e pelo fim da violência contra a mulher, da homofobia e da transfobia. Mais que isso, acreditamos na Rusga Libertária como semente da anarquia no Centro-Oeste do Brasil. Em tempos de avanço do conservadorismo, retrocessos dos direitos sociais e de expansão do projeto neoliberal, ter uma organização irmã resistindo e lutando ombro a ombro desde baixo nos dá fortalecimento para também continuarmos na luta contra o capitalismo e construindo o socialismo libertário. Desde a CAB, marchamos com o preto do luto e o vermelho da luta, contra a dominação supremacista e a exploração sangrenta que atinge o povo oprimido. Viva os 10 anos da Rusga, Viva a organização anarquista cuiabana e uma veia da luta internacionalista!!

Enraizar o Anarquismo no Centro-Oeste do Brasil!!!

Viva a Rusga Libertária!

Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!

10 anos Rusga Libertária e 3° Encontro Regional Centro-oeste/Sudeste da CAB
10 anos Rusga Libertária e 3° Encontro Regional Centro-oeste/Sudeste da CAB

[EVENTO] Uma crítica anarquista ao Escola sem Partido

poster“[…] a instrução é fundamental para a emancipação humana, isso é ainda mais reforçado pela ferocidade com a qual os padres e os conservadores põem-se à difusão da cultura entre o povo. É absolutamente errado esperar a revolução econômica para difundir a instrução, pelo contrário, essa pode tornar-se um verdadeiro coeficiente revolucionário capaz de determinar escolhas sempre mais conscientes e determinadas por parte dos oprimidos.”

Luigi Fabbri

5 de agosto às 19h no Auditório 1 do ICHS/UFMT

Link do evento no FB: fb.com/events/317808775222260/

[Opinião Anarquista – RL] ALERTA: PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO. GOVERNO DE PEDRO TAQUES VENDE A EDUCAÇÃO!!!

Educação: Ferramenta dos de baixo e NÃO negócio dos de cima!

“O que é ser um professor digno? É aquele que não permite que atropelem os seus direitos, mas também não permite que atropelem os direitos dos demais”

Granito de Areña (documentário mexicano)

Segundo Cláudia Costin, diretora global de Educação do Banco Mundial, a legislação brasileira “armou uma bomba para as contas públicas e criou uma armadilha para a categoria (professores) ”. Raquel Teixeira, secretária de Educação de Goiás, afirmou que “Empresário sabe mais de gestão do que o educador”, servindo-se de tal argumento para reforçar o projeto de gestão escolar que entrega a gestão das escolas à iniciativa privada através das ações das chamadas OSs (Organizações Sociais Privadas). A secretaria de Educação do Estado de São Paulo propôs uma reorganização, que dar-se-ia com cortes em mão de obra e o enxugamento e desmantelamento da educação pública, com o fechamento de 94 unidades escolares sem nenhuma preocupação com a qualidade do ensino. Toda essa ladainha tem um único fim: ENFRAQUECER A ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO, TORNANDO ESSA ÚLTIMA UM NEGÓCIO QUE PRIMA PELO LUCRO E NÃO PELA FORMAÇÃO DOS DISCENTES; DESMOBILIZAR A COMUNIDADE ESCOLAR E COLOCAR O FRACASSO DO MODELO ATUAL NA CONTA DOS DOCENTES, COLOCANDO OS PAIS E ESTUDANTES CONTRA A ESCOLA PÚBLICA.

A novidade do governo Taques é uma parceria firmada entre o Governo e a organização não-governamental Ensina Brasil, que traz para o Brasil uma fórmula vendida pela Teach For All. Você conhece? A definição pode ser vista abaixo:

A Teach for All é uma rede de organizações independentes com uma missão unificada de expandir as oportunidades educacionais ao redor do mundo. Além de trabalhar para melhorar o desempenho das crianças na sala de aula, o projeto tem como objetivo de longo prazo a equidade educacional dentro do país.

http://assimagentemudaomundo.blogspot.com.br/2015/08/teach-for-all.html

Para isso, eles recrutam jovens, de interesses distintos, dispostos a ensinar crianças carentes. Esses jovens se comprometem a ensinar por pelo menos dois anos no projeto, não apenas as disciplinas regulares da grade curricular, mas também ensinar sobre política, cidadania e proteção ao meio ambiente.

NÃO SÓ O CURRÍCULO, MAS TAMBÉM POLÍTICA! QUAL SERÁ O MODELO ENSINADO? SERÁ O QUE INTERESSA A EMPRESÁRIOS E AO GRANDE CAPITAL ESPECULATIVO!

O plano é instalar agências formadoras de professores, restringindo sua formação aos aspectos práticos das metodologias já deliberadas pela empresa gestora. ONGs como a Teach for America, nos Estados Unidos, formam professores em cinco semanas (Ravitch, 2011a). O braço internacional desta organização é a Teach for All, que opera no Brasil com o nome de Ensina Brasil! (2012). No seu site, pode-se ler como ela prepara os seus “ensinas”:

Antes de assumir uma sala de aula, o “ensina” passa por um treinamento intensivo de dois meses, em janeiro e fevereiro. O conteúdo é desenvolvido com base nos 20 anos de sucesso da rede Teach for All e atualizado com o pensamento de educadores brasileiros. Neste treinamento inicial, que chamamos de Instituto de Verão, os “ensinas” planejam seus cursos e já entram em sala de aula, sempre acompanhados de perto por tutores experientes. Toda a prática é avaliada e discutida em grupo, num processo de feedback constante.

MENTIRA! PRECARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO COM FORMAÇÃO DE CENTROS LIGADOS AO CAPITAL INTERNACIONAL QUE VISAM LUCRO E NÃO A FORMAÇÃO HUMANA! AS ESCOLAS E A CATEGORIA DE PROFESSORES AMEAÇAM O INTERESSES DE PEDRO TAQUES, POIS SÃO ESPAÇOS QUE AINDA NÃO TINHAM SIDO VENDIDOS TOTALMENTE! COM ISSO, TAQUES QUER VENDER A IDEIA DE QUE A ESCOLA PÚBLICA ESTÁ FALIDA E QUER IMPOR AOS PROFISSIONAIS A ACEITAÇÃO DESSAS MEDIDAS DESCABIDAS!

Junta-se a isso a destruição moral dos professores que passam por avaliações de grandes empresas tais como O Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de Juiz de Fora – uma instituição que operacionaliza (elabora e desenvolve) programas estaduais e municipais destinados a mensurar o rendimento de estudantes das escolas públicas. A instituição também cria e promove cursos de formação, qualificação e aprimoramento aos profissionais da Educação de diversos estados do Brasil, além de desenvolver software para a gestão de escolas públicas (como os projetos SisLAME e SIMADE) com o objetivo de modernizar a gestão educacional. O CAEd oferece, ainda, apoio para o desenvolvimento de projetos educacionais promovidos por iniciativas privadas, a exemplo de algumas ações da Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco e Fundação Oi Futuro. Recentemente, denunciamos estas medidas. (https://rusgalibertaria.noblogs.org/post/2016/03/21/opiniao-anarquista-rl-sobre-os-ataques-a-educacao-publica-em-mato-grosso/).

 

QUEREM CONTRATAR PESSOAS QUE NÃO SÃO FORMADAS NAS ÁREAS

Jovens “EDUCADORES”, não necessariamente licenciados, para dar aula, ganhando mais do que um professor da rede e fragilizando o papel do professor na escola. Eles são formandos ou recém-formados de “alto desempenho” em cursos como engenharia, publicidade e economia. Receberão financiamento por dois anos ininterruptos. Enquanto isso, mais de 60% da categoria precisa se conformar com a precarização de contratos que duram 10 meses no ano, ficando dois meses por ano sem trabalho, tendo perdas no direito às férias e décimo terceiro salário, entre outros. O Estado suga o que pode através da precarização desses contratos, sabendo bem que necessitará deles todos os anos, pois são a maior parte da categoria.

http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,universitarios-de-sp-vao-dar-aulas-na-rede-publica,880023

TODOS ESSES PROJETOS SÓ TEM UM OBJETIVO! ENFRAQUECER A EDUCAÇÃO PÚBLICA!

Segundo denúncia publicada no site do Sindicato dos Docentes da Unicentro-PR:

 “As evidências de fraude nos Estados Unidos são eloquentes. Uma investigação em Atlanta (Georgia, 2011) demonstrou que 58 escolas do sistema estavam comprometidas com alterações fraudulentas em notas dos alunos. A investigação levou ao afastamento da secretária da Educação local, Beverly Hall. Na cidade de Nova Iorque, John Klein deixou o cargo após denúncias de que o nível dos testes da cidade teria sido rebaixado para melhorar artificialmente as notas dos estudantes (Ravitch, 2010b). Tanto Klein como Hall são figuras importantes no movimento americano dos reformadores empresariais. ”

http://www.adunicentro.org.br/artigos/ler/118/os-reformadores-empresariais-da-educacao-da-desmoralizacao-do-magisterio-a-destruicao-do-sistema-publico-de-educacao

Na prática, isso serve para destruir o plano de carreira dos professores, eliminar a possibilidade de concurso público, deixar o professorado enfraquecido e refém de um regime celetista. Não existe uma mudança na concepção educacional, o aluno é utilizado como desculpa, pois seria “o maior beneficiado”. MENTIRA! Salas lotadas, diminuição do corpo docente, fechamento de escolas, enxugamento de currículo, fim de um ensino crítico e reforço de um ensino tecnicista é o mote para os que defendem a privatização. O objetivo final é uma escola que seja uma extensão da fábrica onde o humano é colocado de lado em detrimento do ganho desmedido.

Outra demonstração do avanço do governador, Pedro Taques, para a privatização se dá com o estabelecimento das Parcerias Público-Privadas (PPP) para a construção de 70 escolas. Segundo matéria, o governo pagará aluguel para empresas que construirão tais escolas, firmando um contrato que durará 25 anos. (http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=pedro-taques-e-perminio-preparam-ppp-para-construir-70-escolas-em-mato-grosso&id=417614). O dinheiro público será entregue de bandeja para empresas que engordam às custas do povo. Até então, a construção de escolas se dava por licitação, apenas a construção era paga, terreno e prédio sempre foram públicos. Com essa parceria, o governo assume uma dívida permanente, injetando dinheiro em algo que nunca será um bem público definitivo. Os gastos serão bem maiores. E o discurso de que há crise e não tem dinheiro? Não há dinheiro para as melhorias da educação, não tem dinheiro para cumprir com o reajuste inflacionário das/os trabalhadoras/es, mas tem dinheiro para injetar na iniciativa privada? Não há dúvidas, o governo Taques (PSDB) tem um projeto de privatização para a educação em Mato Grosso. E o que parecia estar vindo a conta gotas se intensifica a cada dia com maior rapidez. Anteontem, contratação de empresa com fins lucrativos para avaliação externa; ontem, parceria com organização de interesses do capital para introduzir pessoas que entrem nas escolas com seus cabrestos; hoje, Parceria Público-Privada para construção de escolas; amanhã, entrega de nossas escolas à gestão privada. Não deixemos a educação pública ser entregue às mãos de empresários e empresas que não veem nela nada além de mercadoria e fonte de lucros. O que é do povo deve retornar ao povo. Queremos nosso dinheiro investido na educação pública de verdade, em prédios que serão sempre nosso, do povo. Porque toda escola pública pertence ao povo.

A privatização da educação já mostrou sua falência em outros países. O Chile que, no governo ditatorial de Pinochet, adotou um sistema no qual parte do investimento de dinheiro público ia para o lucro de empresários e acabou criando um sistema educacional que aprofundou diferenças sociais, com seleção escolar, sistema de financiamento compartilhado e lucro de estabelecimentos privados com recursos públicos, voltou atrás. Recentemente, o Chile teve um projeto aprovado pelo Congresso Nacional que prevê o fim da terceirização, fim do financiamento de empresas educacionais e que invista em educação pública e de qualidade. E o Brasil? Quer adotar o que no Chile já se mostrou obsoleto e inadequado.

Nos Estados Unidos, as chamadas Charter Schools, geridas por entidades privadas e financiadas pelo sistema público, são referência para o modelo que se quer adotar em Goiás. Esse modelo foi adotado na Colômbia com uma diferença: os contratos eram feitos somente com organizações sem fins lucrativos, mediante licitação, criando as chamadas “escolas de concessão”. A desculpa são as mesmas: valendo-se de uma suposta crise na educação, os governos atacam as escolas públicas e os professores. Passam por cima da responsabilidade pública que deveria ter como objetivo uma educação pública e de qualidade, entregando de bandeja um bem tão precioso aos que só querem lucrar e nada mais.

Com relação aos resultados, os países com os melhores sistemas de ensino continuam apostando na valorização do profissional da educação como chave para garantir a qualidade. Falando de índice, os Estados Unidos, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, amarga o 19º lugar no ranking mundial de educação. Mesmo sabendo que a educação não pode e nem deve ser reduzida a esses índices oficiais, os mesmos mostram que o argumento viciado construído pelos empresários da educação não funciona. Qualidade não tem relação somente com o econômico, muito menos com gestão pensada por empresários. Tem haver com prioridade e investimento em formação humana, o que leva a uma relação que realmente torna possível um trabalho sério e eficaz.

Para quem não se lembra, Pedro Taques – atual governador do Estado de Mato Grosso – começou sua escalada ao poder como Procurador da República. Passou ao Senado e galgou o atual posto utilizando-se de uma imagem de “Paladino da Justiça”.
O que temos visto desse governo é justamente o contrário dessa imagem que tentou construir até agora. Em seus primeiros meses de governo, assinou vários decretos, dentre eles, o que suspendia novas contratações e o pagamento ao fornecimento de produtos e Serviços no Estado; dividiu o pagamento da reposição das perdas inflacionárias, descumprindo o acordado na greve de 67 dias da Educação em 2013. Ainda não acabou: DEIXOU CLARO QUE NÃO HAVERÁ CONCURSO PARA A ENTRADA DE NOVOS EDUCADORES NA REDE PÚBLICA! E DISSE ISSO NA CARA DOS REPRESENTANTES DO SINTEP (DIREÇÃO), QUE RESPONDERAM: “Não temos problema nenhum em discutir se os parâmetros estiverem baseados na aplicação dos 35% assegurado pela Constituição do Estado, nos repasses da educação dos incentivos fiscais e nas alterações da atual situação da previdência”. DISCUTIR? NÃO CHAMARAM NENHUMA ASSEMBLEIA DA CATEGORIA! OS EDUCADORES NA SUA MAIORIA NEM ESTÃO INFORMADOS! A DIREÇÃO DO SINTEP SABE E NÃO FEZ NADA!

http://www.rufandobombo.com.br/balde-de-agua-fria-em-audiencia-com-sintep-taques-descarta-concurso-na-educacao/

A tal crise financeira, “desculpa para boi dormir”!

A desculpa é sempre a mesma: crise financeira! Para resolver a “crise”, o governo disse que cortou quase todos os cargos comissionados, MENTIRA! Segundo jornal local, o governo manteve 6.295 cargos comissionados e nomeou 1.493 novos cargos comissionados com salários que chegam a 5 mil reais, ultrapassando o gasto com folha de pagamento em 240 milhões de reais! Não abriu novo concurso para a Educação e tem acusado a mesma de ser a que mais onera o Estado com relação a pagamento. Por outro lado, o governo está gastando milhões com a avaliação externa (ADEPE), que dirá o mesmo que já sabemos e servirá como pressão sobre nós, e com a instalação da biometria para controlar a frequência das/dos estudantes – o que também não muda a realidade das escolas, já que esse controle não resolve as razões da evasão ou faltas escolares.

A nova solução é a apresentação do Programa de Demissão Voluntária (PDV) aos servidores públicos, que começou na Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa Assistência e Extensão Rural) e nos primeiros meses de 2016 começa a vigorar no Cepromat (Centro de Processamento de Dados de Mato Grosso). Começou nas empresas, depois vai para as autarquias e se expandirá para as secretarias, segundo o secretário de Planejamento, Marcos Marrafon. A PROPOSTA É FORÇAR OU ILUDIR FUNCIONÁRIOS MAIS ANTIGOS E COM MAIORES DIREITOS A ENGOLIR O PDV. COM ISSO, ASSIM COMO JÁ OCORRE EM OUTRAS LOCALIDADES, COMO NO PARANÁ, OS FUNCIONÁRIOS MAIS ANTIGOS E COM SALÁRIOS MAIS ALTOS SERIAM DEMITIDOS. EM SEU LUGAR, NOVAS CONTRATAÇÕES SERIAM FEITAS COM SALÁRIOS EM INÍCIO DE CARREIRA, OU SEJA, MAIS BAIXOS. E mais, a proposta não para por aí, os CONTRATADOS estariam reféns de uma estrutura análoga à iniciativa privada, assim como é a proposta em Goiás, e isso é importante: o GOVERNO SÓ FALA EM NOVOS CONTRATADOS E NÃO EM NOVOS CONCURSADOS, o que aumenta ainda mais a desconfiança sobre o que ainda está por vir com o governo Taques. PLANO de DEMISSÃO VOLUNTÁRIA, MTPREV, SEM NOVOS CONCURSOS, estamos falando do fim do funcionalismo público no Estado de MT.

Um outro dado importante para avaliarmos é o que se refere às intenções do então governador de Mato Grosso, principalmente quando pensarmos sobre a tal “crise” e com isso a “impossibilidade” de abertura de concurso para completar o quadro deficitário da Educação Pública em nosso Estado. É importante fazermos uma retrospectiva desde 2014, quando ainda era candidato ao governo:

  • 2014 (enquanto candidato para governo do Estado): “[…] caso seja eleito, promete, no mínimo, dobrar o número de efetivos da Polícia Militar em quatro anos, passando de 6,5 mil para quase 15 mil policiais. Para isso, […], será preciso realizar 1 (um) concurso público por ano, além de chamar aqueles que estão no cadastro de reserva. ” Fonte: http://www.rdnews.com.br/eleicoes-2014/taques-vai-fazer-concurso-todo-ano-para-dobrar-efetivo-da-pm-ate-2019/56655
  • 2015: “1.340 novos efetivos para a Polícia Militar. ” Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Governo_convoca_todos_os_aprovados_do_concurso_da_Policia_Militar_de_MT&id=404575
  • 2016: “[…] 2.442 vagas autorizadas vão abranger Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil e Politec. São 1.200 vagas para soldado da Polícia Militar, 900 vagas para investigador, 300 vagas para escrivão da Polícia Judiciária Civil, 42 vagas para Técnico de Necropsia, além da convocação dos 107 soldados do Corpo de Bombeiros. ” Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=pedro-taques-anuncia-concurso-com-quase-25-mil-vagas-na-seguranca-publica-pm-vai-passar-de-10-mil-homens&edt=33&id=414933
  • Lei Orçamentária Anual (LOA) 2016: na elaboração da LOA, de 2015 para 2016, o governo propôs um aumento de 44.97% nos investimentos para a segurança pública, enquanto a educação teria de se conformar com apenas 22.36% e a saúde com 19%. Fonte: http://www.agoramt.com.br/2015/11/loa-preve-orcamento-de-r-165-bilhoes-para-2016/

Para que investir em Educação quando a repressão é a melhor forma de contenção das revoltas populares? Só fazermos a retrospectiva de como a Polícia Militar tem agido, em todo o Brasil, quando a missão é calar as manifestações populares: Greve dos Professores no Paraná, Greve dos Professores no Rio de Janeiro, Greve dos Professores em São Paulo, Greve dos Professores em Goiás, Greve dos Professores no Rio Grande do Sul, as Lutas contra o Aumento das Tarifas do Transporte Público em SP, e tantos outras lutas que têm como pauta direitos básicos para a classe trabalhadora. Assim caminha o governador Pedro Taques!

A Única Saída é…

É mais que necessário colocarmos um fim em toda essa morosidade que tem se alastrado desde o fim da greve em 2013. É mais que necessário termos uma forte organização de toda a categoria educacional: desde as do campo até as urbanas; combatendo o autoritarismo do Governo, da SEDUC, das diretorias e coordenações escolares. É necessário batermos de frente e cobrar com toda radicalidade esse engessamento e paralisia que tem sido presenciado na Direção Sindical. Se o SINTEP SOMOS NÓS, FAÇAMOS DESSE SINDICATO UM VERDADEIRO INSTRUMENTO DE LUTA, UM INSTRUMENTO DE LUTA PARA DEFESA DOS INTERESSES DE TODA A CATEGORIA QUE TEM SOFRIDO COM OS GIGANTESCOS ATAQUES À EDUCAÇÃO PÚBLICA E AOS NOSSOS DIREITOS! Se não há intenção de combatividade, comecemos a fazer greve por LOCAL DE TRABALHO, conscientizando toda comunidade envolvida nas Unidades Escolares e os envolvendo nessa emergência de Luta e Radicalidade Contra o Sucateamento e Privatização da Educação Pública!

Sem organização, já vimos que não resistiremos. A força da categoria vem do chão da escola, dos que estão na luta diária e não de uma suposta vanguarda que tem retrocedido frente aos ataques do Governo.

NÃO QUEREMOS AS MIGALHAS QUE CAEM DAS MESAS DOS PODEROSOS, NEM TÃO POUCO UM LUGAR AO SEU LADO! QUEREMOS O FORTALECIMENTO DA LUTA DOS TRABALHADORES E QUE NENHUM DIREITO NOS SEJA ROUBADO!

GREVE, MARCHA, PIQUETE E OCUPAÇÃO!

EDUCAÇÃO SÓ MUDA COM LUTA E ORGANIZAÇÃO!

GREVE GERAL, JÁ! EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!

Link para download do arquivo em PDF: Opinião Anarquista 01

[Opinião Anarquista – RL] Sobre os ataques à Educação Pública em Mato Grosso

Em audiência na Assembleia Legislativa, o secretário de Estado e Educação, Permínio Pinto, fez uma avaliação positiva do Processo Seletivo Simplificado, afirmando que aumentou o nível de qualificação dos contratados. Ainda falou de seus novos planos: uma avaliação externa que será feita com os alunos do 2º, 4º, 6º e 8º ano do fundamental e 1º e 2º do Ensino Médio. Ainda tem outra: uma tal escola para gestores que focará na formação dos diretores das unidades escolares.
Segundo o secretário, “a Seduc está trazendo a expertise de uma instituição que atua em outros 18 estados. Desta forma, Mato Grosso terá sua própria avaliação”. Quer saber qual é a instituição? A descrição pode ser encontrada no seguinte endereço http://institucional.caed.ufjf.br/-quem-somos/ .
O Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de Juiz de Fora, é uma instituição que operacionaliza (elabora e desenvolve) programas estaduais e municipais destinados a mensurar o rendimento de estudantes das escolas públicas. A instituição também cria e promove cursos de formação, qualificação e aprimoramento aos profissionais da Educação de diversos estados do Brasil, além de desenvolver software para a gestão de escolas públicas (como os projetos SisLAME e SIMADE) com o objetivo de modernizar a gestão educacional. O CAEd oferece, ainda, apoio para o desenvolvimento de projetos educacionais promovidos por iniciativas privadas, a exemplo de algumas ações da Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco e Fundação Oi Futuro.

Está aí! Projetos educacionais financiados pela iniciativa privada! Alguma dúvida de que caminhamos para um processo
de privatização?

Algumas denúncias feitas onde essa empresa já vem atuando

No Amazonas, houve uma denúncia de cobranças irregulares feitas para que os educadores APROVADOS EM CONCURSO PÚBLICO tivessem efetivado sua estabilidade. Observem: obrigatoriedade de realizar curso de formação online, de 2 horas diárias, pelo Centro de Políticas Públicas de Avaliação e Educação (Caed) da Universidade Federal de Juiz de Fora/MG, e serem aprovados numa avaliação final como pré-requisito para serem efetivados na Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
Esses cursos deveriam ser feitos fora do expediente normal de trabalho. Como sabemos da realidade dos colégios hoje, com o investimento feito na educação, fazer isso na escola é impossível! Não existe estrutura como computadores nem mesmo acesso à internet. Além disso, fere as horas estabelecidas no edital do concurso, fazendo com que o trabalhador extrapole a jornada para a qual se compromissou. Sabemos ainda que haverá pressão, pois a formação que será dada aos gestores será a de CAPITÃO DO MATO, vigiar e punir os que se negarem a trabalhar fora de seu expediente.
(http://radaramazonico.com.br/seduc-estaria-fazendo-cobrancas-abusivas-para-naoefetivar-professores-que-passaram-em-concurso-publico/)

Para obter resultados positivos nessas avaliações, vale tudo! Em Minas Gerais, houve denúncias de fraude nessas avaliações. Cobrados para obter resultados, os professores aplicadores orientaram os alunos a preencher os cadernos de prova a lápis, sendo que o preenchimento definitivo seria feito por funcionários do
Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de Juiz de Fora, que foram contratados pela Secretaria de Estado de Educação para elaborar as provas.
(http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/
2012/11/28_plenario_denuncia_rogerio_proeb.html)

Por uma rápida passada de vistas, pode-se conhecer os reais interesses de instituições como o CAEd! Interesses comerciais, já que a instituição lucra e muito com o suposto trabalho contratado pelos governos e prefeituras. Tal Centro nada mais é do que uma empresa e seus fins são os lucros. Nesse sentido, não haverá ética ou compromisso real com a Educação pública e de qualidade. Observamos isso já pelo fato de que o CAEd cria um pacote completo para os governos: “avaliação” dos alunos; “avaliação” de professores; elaboração de “cursos” de “formação” para os professores etc. O próprio Centro elabora as provas e indica o que “precisa” ser “mudado”, elaborando “cursos / medidas” que eles mesmos vendem para “solucionar” os problemas da Educação. Tudo isso é engolido pelos governos e vomitado goela abaixo dos estudantes e trabalhadores da Educação por esses governos. No fim, o CAEd é o que mais lucra com a venda do pacote todo. Por sua parte, os governos compram uma “justificativa”, uma forma de pressão maior, para aplicar suas medidas autoritárias e políticas neoliberais. Já os trabalhadores, amargam com a culpabilização e pressão de cima, sofrendo o arrocho para apresentar mais resultados! O CAEd representa claramente a tentativa de, cada vez mais, transformar a Educação em mercadoria; e/ou, sugar dinheiro público às expensas de uma Educação realmente de qualidade. Dinheiro que poderia ser investido em mudanças reais ou necessidades mais urgentes.

ESSA É A INSTITUIÇÃO QUE TAQUES CONTRATOU PARA AVALIAR OS RESULTADOS DA EDUCAÇÃO NO MATO GROSSO! COM INTERESSES PRIVADOS E COM O COMPROMISSO DE PROPAGANDEAR RESULTADOS MENTIROSOS! MUNIDOS DISSO, O GOVERNO PRETENDE ESTABELECER PUNIÇÕES AOS EDUCADORES E ÀS UNIDADES QUE NÃO OBTIVEREM RESULTADOS POSITIVOS. DIGA-SE DE PASSAGEM, AQUI ENTENDE-SE COMO “POSITIVO” O QUE ATENDE AOS INTERESSES DO GOVERNO E DO PADRÃO DESSA INSTITUIÇÃO, NEM QUE PARA ISSO SEJA PRECISO FRAUDES!

A escolha de diretores e coordenadores está prevista e amparada pela legislação brasileira. A Constituição Federal de 1988 aponta a gestão democrática como um dos princípios para a educação brasileira e ela é regulamentada por leis complementares como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional da Educação, em seu artigo 22. No Mato Grosso, os coordenadores eram escolhidos pela própria comunidade das escolas, mas a portaria publicada pelo Governo do Estado contém uma mudança, que impede que eles assumam o cargo. A portaria prevê um processo de eleição que começa com a inscrição de candidatos nas assessorias pedagógicas para processo seletivo e avaliações de título, para depois as escolas participarem. Ou seja, para que efetivamente seja exercida a autonomia das escolas e sua participação na escolha de seus gestores, a comunidade escolar fica refém do crivo da SEDUC, que escolhe o perfil do coordenador. Impede que a vontade da comunidade seja posta em prática e, o que é pior, não permite que se construa uma cultura escolar reivindicativa, selecionando gestores que, aos olhos da SEDUC, sejam cumpridores exemplares de tarefa, que atendam os interesses da SECRETARIA E NÃO DA COMUNIDADE!

A conclusão para isso é a mesma de sempre: segundo o secretário-adjunto de Política Educacional, Gilberto Fraga, essas medidas levam a crer que “se o aluno não está aprendendo é porque também tem alguém que não está ensinando”.

Não levam em consideração que mais de 60% da categoria é contratada e, a cada ano, o governo tem fragilizado ainda mais a situação da categoria. Exemplo disso é a não abertura do concurso, que foi um dos compromissos do governo Silval e que foi endossada pelo governo Taques. Sabemos que isso é desculpa para vender definitivamente a educação para o setor privado! Muito provável que o modelo adotado seja o mesmo do governo de Marconi Perillo em Goiás, educação administrada por organizações sociais (OSs), terceirizando a pasta e estabelecendo uma situação não de exceção, mas de regra, com o fim de concursos públicos para a educação e contratação de professores sem garantia de estabilidade. Passariam a trabalhar com o regime celetista, que, como sabemos, atende interesses da empresa que contrata e não da categoria. Além de fragilizar os direitos trabalhistas, acabariam com a possibilidade de organização da mesma, pois, ao menor sinal de descontentamento ou reivindicação de direitos, basta demitir!

Sabemos da urgência de nos organizar! Segundo o Presidente do Sintep-MT (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso), “O desafio do segundo ano do Governo Taques na Educação parece estar claro: o ataque às conquistas da categoria e da sociedade mato-grossense. Eis que chega a hora de fazermos valer a luta para manter nossas conquistas! ” (http://sintep2.org.br/sintep/mais_leitura.php?leitura=2), ficou animado? NÃO FIQUE! Quantas vezes a atual direção passou em uma unidade escolar que você tenha contato para discutir essas possibilidades? DIZEMOS QUE NÃO PASSARAM E NÃO VÃO PASSAR! A direção da subsede de Cuiabá, em episódios presenciados por vários trabalhadores da Educação no recente PSS, FEZ uma defesa desse modelo. Ao invés de fazer a luta e autocrítica, preferem dizer que “são de luta” e que quem discorda quer fragmentar, dividir a luta, quando, na verdade, o que falta para a direção é coragem de problematizar tudo que ocorreu nesse período recente. Ao contrário! Muitos defendem a ideia de que pauta de interino é concurso e que se reivindicamos direitos para os mesmos estamos fragilizando os concursados! Aí está! Ao que tudo indica, não haverá mais concursos, então os privilegiados podem ficar tranquilos, pois todos serão contratados! Quem quer dividir a categoria? Reflitam!

 Façam uma pesquisa nos sites ligados ao sindicato e vejam o que publicaram durante todo o período! A produção é pífia! O que mostra um total descompromisso com a categoria. Em vez disso, perdem-se em publicar notas que, sozinhas, não fazem nossa luta, não funcionam como pressão alguma. Ou, perdem-se em uma defesa cega governista e partidária; que parece ser mais importante que nossas pautas!

A direção passou um tempo dando ênfase para a chamada greve nacional da educação que ocorreu de 15 a 17 de março. Greve de três dias? Quando a categoria foi consultada para discutir isso? Quem disse que queremos três dias de greve? A direção supervalorizou uma chamada nacional da CNTE, que ocorre todos os anos, mas não aproveitou o momento para alavancarmos nossas pautas locais ou combatermos todos os ataques sofridos ultimamente. Tanto a direção do SINTEP/MT quanto a direção da CNTE têm se voltado mais para uma defesa do governo do que para nossas lutas. Todos os anos, chamam a greve nacional de três dias, mas a CNTE parece esquecer que a luta continua no restante do ano. Nos demais meses, não vemos qualquer atuação significativa ou luta real. Vamos dizer a essas direções que o sindicato somos nós e nossa voz deve ecoar! Queremos uma luta combativa em defesa de nossos direitos, chega de peleguismo no nosso sindicato!

CHEGA DE SUCATEAMENTO! É HORA DE RESISTIR E COMBATER OS ATAQUES FEITOS PELO GOVERNO! NÓS SÓ ACREDITAMOS NA ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES PELA BASE, DE BAIXO! OMBRO A OMBRO, NO DIA A DIA, NA LUTA DIÁRIA! LUTAR, CRIAR, UM PODER QUE EMANA DOS DE BAIXO!

Baixe arquivo em PDF: Opinião Anarquista n° 00