[CAB] Nota sobre o atual cenário da luta de classes no Brasil

O atual cenário político brasileiro exige muita lucidez e frieza para o conjunto dos lutadores e das lutadoras populares e sua análise da realidade. Nós da Coordenação Anarquista Brasileira, modestamente, buscamos dar nossa contribuição a compreensão do convulsionado cenário político-social, cujo principal corte se encontra no golpe jurídico-parlamentar que derrubou Dilma Rousseff do governo. Vivemos recentemente o chamado esgotamento do pacto da Nova República de 1988. Tal pacto, mantinha a exclusão social dos/as de baixo, enquanto garantia direitos jurídicos mínimos, numa coalizão que envolveu políticos burgueses, o empresariado, os militares e parte dos setores reformistas da esquerda.

A construção do Estado brasileiro, no entanto, sempre esteve mais próxima dos interesses das potências imperialistas de turno do que da maioria da população. O estado penal para os pobres sempre foi a norma das instituições da democracia burguesa. Os governos do PT, desde Lula, incrementaram a máquina criminal da ordem pública com todo um aparato legislativo-judicial que reproduziram o super-encarceramento dos pobres e negros e a parafernália repressiva que ataca as lutas sociais. O pacto de conciliação de classes foi rompido e o colaboracionismo rasgado para dar lugar à agenda agressiva do capitalismo financeiro sobre os direitos sociais, as liberdades parciais e os bens públicos, que foram conquistas históricas do movimento popular.

O império mostra suas garras

Não podemos entender esse movimento que está acontecendo em nosso país fora da realidade geopolítica do nosso continente latino-americano. Precisamos calibrar nosso instrumental analítico e localizar um pouco melhor o Brasil como nação periférica dentro do sistema-mundo para entender o que está em jogo. Nação esta, que seguiu mantendo sua vocação agroexportadora (primária) e nos últimos dez anos se alinhou na construção do plano IIRSA – Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana (atual COSIPLAN). Este plano buscava maximizar a exploração dos nossos recursos naturais, acelerar o processo de abastecimento dos mercados internacionais com estes recursos e beneficiar empresas transnacionais.

Tal plano significou uma nova ofensiva em consonância com tratados de livre comércio estabelecidos entre os Estados Unidos e alguns países da região. Na tentativa de ampliação do modelo neoliberal na América do Sul, ainda na onda de governos progressistas e de centro-esquerda.

A crise econômica de 2008 criou grandes dificuldades para os EUA manterem a agenda internacional, que a partir da queda das Torres Gêmeas, passou a ter como principal objetivo a garantia da sua hegemonia global, o que é muito evidente nas várias agressivas intervenções impulsionadas pelo império. Há uma leitura clara por parte do imperialismo de que “onde o Brasil for a América Latina vai”. E neste sentido, como o nosso continente latino-americano é visto como uma reserva estratégica dos EUA (de recursos naturais, energéticos e políticos), os desdobramentos do cenário político brasileiro são de grande importância para Washington.

O golpe de 2016 não apenas desmontou os pequenos ganhos do período anterior como aprofundou o controle financeiro e internacional da economia nacional, em forma de compra de “ativos”. Ajuste que se impõe na cena a golpes de toga, com a Lava Jato alinhada com o imperialismo pela estratégia do lawfare. Cresce também o controle dos setores de infraestrutura, energias renováveis, serviço, saúde e educação por empresas norte-americanas e chinesas. No que diz respeito ao petróleo, 13 multinacionais já se apropriaram de 75% do pré-sal, com liderança da Shell e BP, cujas últimas rodadas de leilão ocorreram em outubro deste ano. Do ponto de vista político, a ação do imperialismo consiste em desorganizar qualquer possibilidade do cenário Brasileiro – ainda que sob um governo de uma centro-esquerda reformista – representar qualquer ameaça aos seus interesses em nível continental. É importante ter claro que o desenrolar da corrida eleitoral no Brasil terá claros desdobramentos sobre a crise do regime venezuelano. Pode ao fim desse processo ser efetiva a contribuição para a desestabilização política do país, ou mesmo a possibilidade de uma intervenção militar.

A nova DSN: os militares fazem política e ameaçam

Há de se ressaltar que há alguns anos, ainda dentro do governo petista, inaugurou-se uma nova Doutrina de Segurança Nacional com o general Etchegoyen nas forças armadas brasileiras. Doutrina que vê os grupos ligados ao narcotráfico, ONG’s de direitos humanos ou ambientais, órgãos governamentais de cunho “ideológico” e os movimentos sociais ligados a uma visão de esquerda como novos inimigos internos. Um dos elementos dessa doutrina é o esvaziamento do papel da universidade e da pesquisa, endurecimento no código penal, continuidade e ampliação do super-encarceramento e adoção de medidas de contraespionagem. A doutrina usa controles de meios de comunicação social, disseminação de boatos, desqualificação de acusadores e uso de documentos falsos. A promoção de greves, fechamento de vias e ocupação de terras e prédios e a luta por direitos sociais para minorias políticas passam a ser caracterizadas como “ações terroristas”.

Foi essa nova doutrina responsável pelo lobby de aprovação da lei antiterrorismo aprovada por Dilma. Seu objetivo se inscreve na criação de um novo pacto, uma “nova democracia”, onde os militares tenham um papel ativo nessa nova geopolítica do continente e na política nacional.

Para resumir. O “estado democrático de direito” montado em cima da exceção para as “classes perigosas” está em processo de reconfiguração como jogo de poder das classes dominantes (em alguns locais, narco-estado), e faz emergir do seu interior as razões de Estado e suas relações com os interesses do imperialismo. Os fatores de reação operam na conjuntura, como Estado policial. Um ajuste que corta tão fundo na carne do povo e faz explodir as ambições da classe capitalista e dos seus lacaios, cedo ou tarde, chama a segurança em seu favor e amplia o espaço da exceção para redefinir a norma do sistema.

A centro-esquerda aposta todas as suas fichas nas urnas

A esquerda e centro-esquerda brasileira apostam a sorte nas urnas como quem espera que a democracia burguesa venha em seu socorro, proteja seus direitos, limite o garrote e derrote o imperialismo. Enquanto o sistema levanta a alça de mira e veste a toga ou a farda para exercer o poder, sempre com apoio do governo norte-americano. Os movimentos de oposição pela esquerda surgidos depois do golpe jurídico-parlamentar e que tomaram as ruas infelizmente entram nessa lógica pragmática, de razão de Estado e governo, onde o inimigo da extrema-direita seria supostamente vencido pelas urnas e pelo voto.

A centro-esquerda se esforça para canalizar esses esforços em acúmulo eleitoral, gastando toda a sua energia com a disputa institucional e o jogo podre dos partidos eleitorais, em detrimento da luta de classes. A cena política brasileira está maculada pela fraude de uma representação que para os liberais burgueses sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e dos bens comuns pela vontade poderosa de minorias. Mas sabemos que o sistema torce a constituição e derrete o estado de direito quando se trata de defender os interesses das suas classes dominantes.

Devemos nos esforçar para construir um trabalho prolongado que aponte os sindicatos, as organizações populares como a alternativa mais correta para o povo defender seus direitos e participar da vida política, aprofundando a democracia direta, repudiando a conciliação de classes e dando combate sem tréguas ao protofascismo.

O protofascismo como um super-dosagem do programa dos poderosos

Tal configuração do poder político também é ajudada por táticas de propaganda e ação direta de setores reacionários e grupos de filiação ideológica na extrema-direita, que em geral são respaldados pelos aparelhos jurídico-policiais. Um fator que ganha incidência nas ruas e que tudo sugere que crescerá, abrindo um espaço para seus agentes pressionarem a cena política nacional e se alinharem ao que está acontecendo em nível continental.

Não é só isso. Sintoniza-se também a frustração econômica, o fracasso de soluções políticas pela representação e a desestabilização de valores associados a posições de poder na família, cultura, educação. Uma produção subjetiva conservadora que tem nos evangélicos e sua base popular um vetor de capilarização. Tal nova direita transitou do discurso petista à radicalidade do discurso anti-político e “antissistema”, configurando-se como uma direita que não fala apenas para as elites, mas também aos setores populares e periféricos. Atuam no vácuo social deixado pela centro-esquerda, que se coloca apenas na defesa da democracia burguesa.

A figura desprezível de Bolsonaro insere-se nessa tentativa de aprofundamento da destruição dos direitos sociais e de violência patriarcal contra mulheres, LGBTs, indígenas, negros/as e quilombolas. Violências que se materializaram em diversos ataques pelo Brasil protagonizados por seus apoiadores, entre eles, o que resultou no brutal assassinato do Mestre Moa do Katendê, em Salvador. Longe de minimizar a barbárie que Bolsonaro representa é necessário inseri-lo dentro de uma lógica funcional da aplicação do ajuste, da recolonização imperialista do país num ritmo mais acelerado do que seria num governo de centro-esquerda.

 

As urnas não derrotarão o imperialismo, o ajuste fiscal e o protofascismo

O resultado das eleições, portanto, não resolve o complexo contexto colocado pela correlação de forças negativa para a classe trabalhadora. Todos os cenários são de aprofundamento da luta de classes e das opressões. O “voto útil” contra a chapa Bolsonaro faz no máximo uma prorrogação, levam a um complicadíssimo “terceiro turno” que não será decidido nas urnas. A luta é de longo prazo para construção de uma alternativa de classe e de massas que não se renda às razões de Estado, à governabilidade e aos acordos subordinados ao império. Mas que se constitua como força social capaz de derrotar a burguesia, o imperialismo e seus ataques.

Nossas bandeiras de classe precisam estar levantadas para cima neste momento de ataque protofascista e ultraliberal. Não podemos sucumbir ao pânico que desmobiliza e ao temor provocado pelas elites reacionárias. Nosso papel é resistir ativamente, reforçando a solidariedade de classe, garantir a luta nas ruas e a mobilização permanente dos/as de baixo!

Por isso defendemos:

– Unidade pelo antifascismo para além das urnas, nas bases e nas ruas. A luta é o que vai definir. A unidade se dará em atos, mobilizações contra os ataques neoliberais e a barbárie promovida por Bolsonaro e seus correligionários.

– Luta pela defesa dos direitos sociais. Luta contra as privatizações e os ataques aos de baixo. Luta contra os ataques a educação, reforma da previdência, luta contra o aumento do custo de vida, a criminalização dos movimentos sociais e o processo de genocídio do povo negro, periférico e indígena.

– Construção de uma greve geral contra o avanço do fascismo e os ataques aos direitos dos/as trabalhadores que é a agenda do imperialismo do próximo período, das elites empresariais e políticas independente das eleições.

 Povo forte para barrar o fascismo!

Contra a barbárie neoliberal, luta e organização!

[CAB] Mulheres tomam a frente da resistência! Povo forte vence nas ruas!

Estamos em período eleitoral. Os partidos políticos, à esquerda e à direita, apresentam suas candidaturas e suas propostas ao povo. Alguns prometem governo popular e dizem que irão defender direitos, no marco da democracia representativa dos ricos. Outros falam de soluções autoritárias, de mais repressão e polícia, como se o maior problema do nosso povo fosse a criminalidade e a falta de segurança. Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) não escolhemos entre as opções disponíveis. Votamos nulo como reação de protesto, mas sabemos que isso não basta. Nossa militância toma essa atitude por uma questão de princípio. Acreditamos que fazer política não tem a ver exclusivamente com eleger um candidato. Pelo contrário. Quem de fato elege os candidatos são os de cima, os ricos, e não o povo.

A democracia deles é uma farsa e, portanto, sua estrutura e institucionalidade está fadada a reproduzir dominação, mesmo que sob verniz popular. O que não significa que ficamos alheios aos resultados das eleições ou que achamos que tanto fez como tanto faz. Não somos principistas e puristas em matéria de política. A conjuntura imposta nesse novo arranjo de poder, o qual caracterizamos como Estado Policial de Ajuste, nos coloca a certeza que precisamos cerrar punhos e organizar a resistência, com auto-organização de mulheres, LGBTs, negros, indígenas, estudantes, trabalhadores, todo o conjuntos dos setores oprimidos para garantir nossos direitos. Pois não há cenário favorável para o nosso povo fora da luta popular.

É uma completa ilusão crer que a derrota do Bozo e sua trupe virá das urnas. O resultado das eleições não irá desmobilizar em nada as forças da extrema direita, que ganham chão a cada dia que passa. Eleito ou não, o lastro social e ideológico que a candidatura do capitão da reserva deixará já é uma herança terrível, e o conflito que hoje existe deve alcançar níveis ainda mais altos a partir de 2019, independente de quem venha a sentar na cadeira da presidência.

Do outro lado, uma briga encarniçada no campo progressista sobre qual candidatura teria mais condições de ganhar o pleito, se a de Ciro ou de Haddad. O que parece até um desperdício de disposição militante, como se a vitória de qualquer um dos dois representasse de fato a derrota da extrema direita. Pelo contrário: enquanto a militância realmente convicta se mata pelas redes sociais, os candidatos vão capitulando seus programas ainda no primeiro turno e tentando atrair algum apoio, para o segundo turno, dos partidos que eventualmente fiquem pelo caminho. E principalmente do tal “Mercado” (como se este fosse um ente divino e único, e não um bando de especuladores que pouco se importam com o país – que dirá com povo oprimido -, estando apenas interessados na aposta que lhes dará o melhor retorno).

Um grande exemplo disso é Haddad, que já aceita falar sobre a reforma da Previdência enquanto seus apoiadores juram que sua candidatura representa, em alguma medida, os “interesses populares”. Há ainda o elemento militar. Pra quem tem acompanhado minimamente as falas do alto generalato, as Forças Armadas voltaram à cena política e não demonstram qualquer vontade de sair. Muito pelo contrário, começam a ganhar força explicitando o descontentamento com a Constituição de 1988, por exemplo. Ou seja, é a ameaça real de se liquidar de vez com o pacto nascido da efervescência popular dos anos 1980 e que, sob a narrativa da redemocratização do país, foi capaz de consolidar um mínimo de direitos ao conjunto das classes oprimidas. Mas voltando à milicada, o recado sobre a não aceitação do resultado das urnas já está dado, e é incerta a postura que adotará o exército em caso de uma convulsão social impulsionada pela extrema direita. E mesmo que assumam uma atuação mais nos bastidores, quais as chances de prevalecer um projeto de caráter popular com estes abutres pairando na cena? Isso tudo sem contar o judiciário, aquele setor de classe com corte bem delineado e que já deixou claro a quem serve, mas que ainda é escolhido como fiel da balança por boa parte da esquerda que acredita nas vias institucionais.

Para o campo libertário, o cenário é ainda mais duro. Se já era difícil fazer corrente de opinião contra a farsa das eleições em um ambiente tão polarizado e em que as forças políticas de diferentes espectros legitimam essa disputa, que dirá então quando a saída apontada tem um nível de concretude tão distante. Os espaços que poderiam propiciar uma outra experiência política aos setores historicamente excluídos dos centros de tomada de decisão praticamente inexistem, e quando existem tendem a estar aparelhados por forças que jogam todas as suas fichas nas eleições. Os menos convictos viram dissidentes, arrebatados pelo discurso alarmista vigente. Aos que estão de fora da nossa bolha social, não temos uma solução concreta (em questão de tempo presente) a ofertar, e os códigos comuns entre nossas linguagens hoje são tão restritos que temos dificuldade até em nos fazermos entender.

Por isso, a melhor chance que temos hoje é encarnada pela articulação das Mulheres Unidas Contra o Bolsonaro. Uma unidade que se forja a partir da ameaça de avanço do conservadorismo (e de um projeto ultraliberal que vem à reboque), mas que tem potencial para se consolidar e vir a assumir uma atuação mais “propositiva”, no sentido de emplacar mudanças estruturais na sociedade. Câmbios de fundo que impactem no imaginário coletivo a respeito do que é ser mulher e do seu direito ao seu corpo, e que resultem na consolidação de dispositivos como a legalização do aborto, em que seja garantida a destinação de recursos coletivos para disponibilizar, a toda e qualquer mulher, todas as condições necessárias para a realização do procedimento de forma segura e gratuita. A derrota do Bozo e de toda a ameaça conservadora com viés protofascista que ele encarna passa necessariamente por este fronte. Mesmo com suas eventuais contradições (todos os movimentos têm), é a mobilização das mulheres que de fato traz em si uma potencial frente de ataque a um dos pilares do conservadorismo – o patriarcado. Mais do que a resistência hoje, é na organização das mulheres que encontramos o grande vetor de mobilização social do século XXI, e é para elas que devemos concentrar toda nossa energia e disposição militante.

É nessa trincheira que há possibilidade de acúmulo de força social com perspectiva de mudança na correlação de forças e avanço para o andar de baixo na luta de classes. Por isso, mais do que apertar números nas urnas, o que mais iremos fazer?

Nossa militância estará engrossando o caldo das mobilizações neste dia 29 de setembro. Tomar as ruas do país para resistir aos ataques feitos pelas elites ao nosso povo! São milhares de mulheres dizendo #elenao e unificando a luta feminista contra os retrocessos nos direitos e o conservadorismo.

Convocamos para a luta popular, por Democracia Direta! Povo forte vence nas ruas!

[CAB] Nada Substitui um Povo Forte e Organizado

LUTANDO POR MUDANÇAS REAIS

É geral o sentimento de revolta pela rotina pesada de quem não nasceu em berço de ouro. A vida tá mais cara, dura e sofrida para a maioria do povo brasileiro. Para a maioria, o que não é a mesma coisa que dizer “pra todo mundo”. Enquanto a pobreza e as muitas formas de opressão nos atacam por todos lados uma pequena elite de ricos e poderosos fazem a farra por cima da miséria da gente. A representação faz parte de um sistema de fraude, privilégio e corrupção que não obedece o que manda e quer o povo.

Nossa campanha não tem dinheiro de fundo partidário e nem qualquer ajuda de empresários. Não é para pedir votos. Queremos e apostamos numa saída construída com mais participação popular, luta massiva e independente como classe oprimida e explorada que somos. Nem a farsa eleitoral de uma democracia burguesa que nos pede o voto de 4 em 4 anos e muito menos uma golpeada autoritária, repressiva e policial. Fazemos campanha pela democracia direta. Outra forma do povo fazer política, mais direitos e liberdades, organização de baixo pra cima, decisão sobre projetos, serviços, mais investimento público pra atacar na raiz as desigualdades sociais.

Por democracia direta queremos afirmar: 1) a construção pelo chão da igualdade de um movimento popular forte que luta e se organiza com independência dos governos e patrões; 2) o direito popular de tomar decisões por conselhos e organizações de base para anular o ajuste que aumenta a desigualdade social, massacra a vida dos mais pobres e liquida os direitos dos trabalhadores; 3) o princípio fundamental da participação popular, da defesa de amplas liberdades de manifestação, de associação, de expressão, diversidade, direitos sociais e individuais.

Se unir e organizar com o vizinho, o colega de trabalho, as afinidades, o companheiro e a companheira da peleia de todos os dias é o começo de uma mudança que depende de construção coletiva.

Anular a reforma trabalhista, a lei das terceirizações e o congelamento dos gastos sociais!
Luta unida contra o racismo, o machismo a homofobia e o fascismo!
Voto nulo na farsa eleitoral. Democracia Direta com a força das ruas.

CONTRA O DESEMPREGO E O AUMENTO DO CUSTO DE VIDA

Os jornais não cansam de dizer que a crise já passou, mas o que a gente vive e sente na pele é que o desemprego segue forte, quem trabalha perde direitos e poder do salário e o preço das coisas só aumenta. O botijão de gás, por exemplo, já está quase virando um artigo de luxo. Se a crise já passou, foi só pros grandes empresários, que na verdade nunca pararam de lucrar. Querem dar “empregos” desde que a classe trabalhadora aceite a derrota e se afunde na pobreza. Para o povo, para o pobre, a vida está cada vez mais difícil, independente do que diz o presidente, ministros ou o Jornal Nacional da Globo.

LUTAR AGORA PRA NÃO PERDER O FUTURO

Nos últimos anos, já congelaram os investimentos em saúde e educação, já acabaram com os direitos do trabalhador, já entregaram o pré-sal e ainda querem acabar com a aposentadoria da gente. Isso tudo é o mesmo que condenar a nossa gente a um futuro ainda mais miserável do que o presente. Como exercício de democracia direta, em que o povo é chamado pra decidir o seu futuro (ao invés de tentar achar um candidato que prometa fazer isso), é vital que se façam plebiscitos revogatórios das leis que acabam com os nossos direitos. Os ricos querem decidir o fim do futuro dos pobres, por isso a hora é de dizer que o presente é de luta e no nosso futuro ninguém mexe!

INSUBMISSAS: MULHERES RESISTEM NA LINHA DE FRENTE DAS LUTAS SOCIAIS

Nos últimos anos e em diferentes lugares do planeta, nós mulheres temos sido a ponta de lança de muitas lutas sociais e protagonizado grandes manifestações. Temos lutado nas ruas e em todos os lugares em que atuamos pelo direito aos nossos corpos, contra a retirada dos direitos trabalhistas, contra o ajuste e a repressão policial, por saúde e educação de qualidade, pela preservação da natureza e soberania dos nossos territórios, pelo aborto legal, contra o avanço conservador na luta antifascista… Temos mostrado na prática a importância de estar organizadas/os utilizando métodos tradicionais de resistência das e dos de baixo como trancaços, greves, ocupações, marchas. Temos apontado que resistência e luta combativa se faz de forma independente de governos, partidos, patrões, religião. As escolhas políticas de democracia direta por meio de instrumentos como a auto organização em coletivos e assembleias populares, ao contrário do que prega a democracia representativa (indireta), deve ser lição política para o conjunto dos movimentos populares nas diferentes lutas. Sejamos corpos indignados . É com a força coletiva nas ruas que a gente avança!

OS SUPER RICOS TEM QUE PERDER PRA RIQUEZA SER DISTRIBUÍDA

A pobreza é uma relação social determinada pela violência e a exploração. Não é o mérito que faz 1% da sociedade tão rica e dona de tudo, enquanto o Brasil volta ao mapa da fome mundial, cresce a mortalidade infantil, mais de 27 milhões de desempregados e trabalhadores de bico, a juventude negra e periférica é o alvo principal de 60 mil mortes por ano, quando não é presa fácil do sistema penitenciário, sobretudo pela lei de drogas.

Quando o orçamento da saúde é de 130 bilhões, da educação 110 bilhões e a bolsa empresário que o governo central doa pra classe burguesa supera 280 bilhões ai tem coisa errada. O que dizer então de quase 1 trilhão pagos na dívida pública em 2017 pra engordar os parasitas do sistema financeiro. De 10 reais arrecadados para o fundo público do país pelo menos 4 são para juntar a riqueza na mão de poucos.

A pobreza e o racismo que condenam nosso povo a viver como réu são filhas da desigualdade social.

BASTA DE MATANÇA DO NOSSO POVO PRETO E POBRE

Falam muito em segurança pública, mas a verdade é que quem vem sendo exterminado somos nós os pobres, principalmente o povo negro. Seja pela mão da polícia, seja pela própria violência urbana que aumenta com a criminalização das drogas e a falta de reparação de uma dívida histórica com a escravidão. A periferia sangra pela vida roubada dos seus jovens. Sem contar os assassinatos no campo, onde os povos indígenas quilombolas e os pobres que lutam pelo direito a um pedaço de chão e de mundo são vítimas da ganância dos grandes donos de terra e seus jagunços. A guerra as drogas prende e mata sempre mais. Transforma um problema de saúde pública em caso de polícia. Condena o nosso povo a viver na mira da repressão e a juventude ao inferno das disputas do tráfico e da fuga eterna de uma lei feita pra pegar favelado.

O Brasil precisa descriminalizar as drogas e combater a fundo a injustiça, o castigo e a violência em que atirou o povo negro da periferia das cidades.

O ESTADO POLICIAL AJUSTA A ECONOMIA COM PRIVATIZAÇÃO E MISÉRIA

Enquanto que, com uma mão, os governos e patrões tiram dos pobres o direito à saúde e educação, com a outra mão eles manda sentar a porrada e nos proíbem de reclamar. São os mesmos que cortam dinheiro dos postos de saúde e hospitais, das escolas e salários dos professores, por exemplo. Mas que enchem de carros e armas a polícia militar e mandam subir os morros e matar a torto e a direito. Só aumenta a miséria e a vida precária do povo, a matança racista do povo negro, o feminicídio e a explosão das opressões de gênero. O Estado policial é a ordem do cala boca pra massa de insatisfeitos e a segurança dos lucros, negócios e da vida de luxo pra meia dúzia. Nem o PT, nem o PSDB, nem Bolsonaro e o grupo do ódio racista, machista, anti-pobre enfrenta o bandido de alta classe que são os grandes proprietários, juízes, autoridades de Estado, donos da riqueza e do poder. Ditadura ou governo autoritário combate a pobreza matando e tirando o couro dos pobres, de tudo que seja diferente. A mudança não veste farda e bota, só vem com mais participação popular, mais gestão direta e democracia dos trabalhadores e da comunidade sobre a economia e o dinheiro público.

INTERVENÇÃO MILITAR É TERRORISMO DE ESTADO. SÓ O POVO SALVA O POVO

A gente também é a favor de uma ruptura, de um BASTA no jeito que as coisas andam. Mas o exército NÃO É a saída. Eles nunca estiveram a favor do povo, e quando foram chamados pra cena sempre foi para manter a ordem miserável das coisas. Contra qualquer ilusão de intervenção militar, assim como dos seus filhotes que hoje correm pras urnas, a gente diz que SÓ O POVO SALVA O POVO, com DEMOCRACIA DIRETA e a formação de um movimento popular independente e forte.

Nada pra imitar dos partidos burgueses, seus governos e parlamentos. Uma frente unida dos oprimidos pra fazer resistência. Sindicatos da classe, sem privilégio de dirigentes, burocracia e peleguismo. Movimento negro contra o racismo de Estado. A mulherada participando e lutando por igualdade social. Comunidades organizadas de baixo pra cima por assembleias, comissões de base, coordenações por zonas. A juventude lutando na rua, estudo, cultura, comunicação.

Link da publicação original: https://anarquismo.noblogs.org/?p=957